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Dez 08

 

Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.

Clarice Lispector, Onde Estivestes de Noite

{Na imagem: Terapeuta, Magritte, 1937}

publicado por T. às 15:57

2 comentários:
A "tua" Clarice...
O "meu" Magritte...

:)))))

Jinhus
may a 4 de Dezembro de 2008 às 19:02

Verdade, feliz coincidência :)

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