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Dez 08

As histórias mais aterradoras são inspiradas por uma noção de imensidão. Nos contos de Poe há essa ideia, flutuante e dinâmica, de qualquer coisa que é desmedida e inexpugnável. É mais ou menos a sensação que nos dá a obra de Edgar Poe. Como ele é o maior escritor do mundo, muito da sua compleição, quanto a nervos, ossos e vísceras, andam espalhados e fazem o fôlego de outros escritores. De resto, Perda de Fôlego é um dos seus melhores contos. Até para obter o céu é necessário vociferar muito alto a palavra Amen – é o que diz Poe, e antes dele teriam dito os antigos hebreus. O fôlego é portanto essencial para fazer abrir as portas e ter acesso à eternidade. O dito Poe escreveu uma coisa muito sensata que se aplica a todos os artistas; mas nem todos tiram dela proveito. «Não é realmente corajoso quem teme parecer ou ser, quando isso lhe convier, um cobarde.»

As Meninas de Paula Rego estão nessa situação. Em todas as atitudes anunciam servilismo, mas estão a comemorar um estado de alma que não é propriamente poético ou idílico. [...]

Agustina Bessa-Luís,  As Meninas, páginas 30 e 31.

publicado por T. às 10:04

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